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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Impressões sobre Orlando 3 - O Americano


O POVO

Observando esse consumismo exagerado em todos os aspectos da vida americana, fica difícil acreditar que o povo americano está interessado em assuntos como consciência global, aquecimento, efeito estufa, reciclagem, redução na emissão de gases, Protocolo de Kyoto e coisas do tipo.

Os países do eixo do mal acham que a solução seria explodir os americanos. Eu, porém, acho que isso não será necessário, porque os americanos vão se explodir sozinhos, de tão gordos que estão ficando. Há 10 anos atrás, quando estive na Florida pela primeira vez, tinha achado os americanos gordos, parecidos comigo, que sou exceção aqui na terra (fiquei feliz e impressionado: lá as roupas de tamanho M serviam para mim!) mas agora eles estão muito mais! Metade da população é obesa, aquela que não passa na catraca do trem.

Mulher de 30 anos, magrinha é artigo raro. Se você ver uma, provavelmente é estrangeira. Aquele seriado “Desperate housewives” é ficção. Não existem mulheres americanas magras como aquelas, ainda mais quatro morando na mesma rua!

A obesidade da população se deve a vários fatores. O primeiro é a comida. Nas 5 viagens que fiz nunca vi um americano comer uma fruta ou verdura. O mais perto disso é a tortinha de maçã do McDonalds ou a alface do hambúrguer. Os supermercados até vendem frutas, umas raras bananas com 30cm de comprimento e umas laranjas do tamanho de uma bola de futebol, mas os setores estão sempre vazios. Tudo o que se consome é industrializado, artificial e altamente temperado. Famílias inteiras saem de casa pela manhã para tomar café na Ponderosa ou o McDonalds, Burger King ou algo semelhante. Bebem somente refrigerante ou suco artificial.

Além da discutível qualidade dos alimentos, como mencionei no post sobre comida tipica abaixo, os americanos também erram na quantidade: tudo é demais. A pipoca do cinema é servida em balde, os refrigerantes são servidos em jarras, e por aí vai. Os americanos não sabem o que significa embalagem familiar: Por maior que seja o pacote ou a garrafa, é para ser consumido só por uma pessoa. Acho que os fabricantes deveriam colocar uma advertência do tipo: Essa garrafa de 5 litros de suco de laranja (artificial) não precisa ser tomada de uma vez só!

E por fim, a questão preço. Nos EUA tem vários Mac com um tal de “one dollar menu”, onde se come hambúrguer, iogurte, salada (essa só em teoria) ou torta de maçã pagando apenas US$ 1 cada.

Apesar de não ter mencionado lá vai: americano põe pimenta até no miojo! Quem não gosta de pimenta vai comer onde?

A segunda razão para a obesidade americana deve ser o sedentarismo. Ninguém faz nada sem ajuda de uma máquina. As calçadas estão sempre desertas. Os poucos que as usam são turistas, porque americano não anda a pé. O carro é uma extensão do corpo, como a cadeira de rodas é para o deficiente. Para ir pegar o café da manhã no Mac, se vai de carro; alguns vão no drive-thru, que nem precisa se desgastar desembarcando.

Nem os garis fazem força. O lixo do chão é retirado com uma pinça, para que o operador não gaste energia se abaixando. A sujeira da calçada é retirada com um super jato de ar. Ninguém carrega caixas; elas são colocadas num carrinho, elétrico, para que o operador não gaste energia nem para empurrá-lo. Nos parques e shoppings, é cheio de gordo que aluga aquelas cadeiras de rodas elétricas para não ter que caminhar.

Essa epidemia de obesidade acaba gerando uma série de conseqüências no modo de vida da sociedade americana, que naturalmente afeta os turistas. O tamanho dos carros é uma delas. Um Ford Fiesta realmente não está apto para carregar uma família típica americana.

Bom, agora vou parar de falar mal e fazer elogios, que é o que encoraja qualquer viagem:

• Os EUA têm excelente infra estrutura, aeroportos, rodovias, pontos turísticos, etc. Não existe estrada de terra nem de paralelepípedo. Todas ruas são asfaltadas com perfeição. Não há sequer aquelas ondulações que fazem um copo cheio molhar quem está o segurando.

• Os EUA são muito organizados. Tudo tem placa indicativa, explicações e mapas. Prestando atenção nas placas é possível ir a qualquer lugar sem ter que pedir ajuda pra ninguém.

• Os EUA têm impostos justos. Para quase tudo, a alíquota é 6,5%. Só brasileiro aceita pagar 17, 25, 30% de imposto sobre alguma coisa e não ter nenhuma contrapartida. Entretanto, os 6,5% não estão incluídos no preço anunciado. Na hora de passar no caixa é que se fica sabendo do valor real da mercadoria.

• Os EUA têm segurança. Tem polícia pra tudo que é lado, ninguém se preocupa em ser assaltado e quase não existe cercas e muros. Às vezes nem dá pra saber onde termina o terreno de um e onde começa o do outro. Violência existe, mas para eles a palavra abrange apenas furtos, arrombamentos, drogas, etc. Assaltos, seqüestros e tiroteios eles não chamam de violência, mas sim de guerra civil ou “coisas de Hollywood”.

• Ao contrário do que a maioria dos brasileiros que nunca foi aos EUA acha, os americanos são muito criativos. Eles têm um monte de soluções inovadoras para os menores detalhes.

• Os EUA tratam muito bem os deficientes. Tudo que é lugar tem um monte de gente de cadeira de rodas. Tá certo que alguns são os gordos que alugam a cadeira para não precisar caminhar, mas tirando esses, ainda restam muitos realmente deficientes. No começo eu achei que a sociedade americana tinha deficientes demais; depois percebi que a quantidade deles não é elevada, mas sim as possibilidades que eles têm de se mostrar. Aqui a gente vê pouco deficiente porque eles não podem sair de casa. Já nos EUA, tudo é planejado para que eles também possam participar plenamente. O pavimento das calçadas é perfeito, há rampas em todas esquinas e prédios, banheiros especiais em tudo que é estabelecimento e sempre um monte de cadeiras de rodas elétricas à disposição, em qualquer parque ou shopping.

• O povo americano tem muito respeito ao próximo (desde que seja também americano), muita consciência coletiva (americana), muita educação e um patriotismo exagerado, às vezes, assustador.

Bom, essas aí foram as impressões gerais que tive do povo americano. É claro que há exceções, mas a maioria dessas exceções não são propriamente americanas.

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